Pesquisa avalia a relação dos jovens com a saúde

O projeto “Este jovem brasileiro”, desenvolvido pelo Portal Educacional (www.educacional.com.br) para entender o comportamento dos jovens e refletir, junto com eles, sobre assuntos cruciais para sua vida, chega a sua sétima edição abordando o tema “Corpo e Mente”. Quase 8,5 mil alunos da 7ª série ao Ensino Médio (13 a 17 anos) de 82 escolas da rede particular de ensino de todo o País responderam anonimamente a um questionário online sobre questões relacionadas à saúde, como alimentação, atividade física, relação com o corpo e emoções. O resultado geral é positivo, mas há muitos aspectos que podem ser melhorados.

“A pesquisa revela que a maior parte dos entrevistados tem uma atitude bastante positiva em relação aos cuidados com a alimentação, com a atividade física, com a saúde física e a emocional”, diz Jairo Bouer, médico psiquiatra e coordenador da pesquisa. Entre os jovens entrevistados, 65% têm seu IMC (índice de massa corporal) normal, quase 25% têm o peso abaixo do ideal para sua altura, 8% têm sobrepeso e 2% revelam níveis de IMC compatíveis com obesidade. Emoções, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e questões familiares podem influenciar o IMC.

Índices mais altos do que a média foram encontrados entre os jovens que têm relação péssima em casa, que ficam tristes ou desanimados sempre, não estão satisfeitos com seu corpo, fazem apenas duas refeições diárias, comem sempre na frente da TV ou do computador, raramente fazem atividade física, ficam mais de 8 horas por dia diante da TV ou computador, passam os finais de semana em casa,  consideram ruim sua alimentação, se veem como sedentários ou muito preguiçosos, e têm pai ou mãe com problema de obesidade.

Alimentação, atividade física, saúde
Em relação aos hábitos alimentares, mais da metade dos jovens afirma fazer cinco refeições por dia (café, lanche, almoço, lanche, jantar), o que é considerado o mais saudável pelos especialistas. Porém mais de 20% sempre fazem suas refeições na frente da TV ou do computador, o que está longe de ser o ideal, e 25% comem saladas ou legumes apenas uma ou duas vezes por semana, enquanto 15% não comem esse tipo de alimentos nunca. Além disso, 19% comem frutas ou tomam sucos naturais apenas uma ou duas vezes por semana.

A pesquisa também investigou comportamentos que podem revelar certo descontrole sobre a forma de se alimentar, e revela uma pequena parcela de jovens com comportamentos que merecem atenção. “Ataques” à geladeira ou ao armário de alimentos foram citados como comuns por 12% dos entrevistados, e cerca de 7% disseram que sentem culpa depois de se alimentar, levando-os a provocar vômito ou uso de laxantes na tentativa de aliviar essa sensação. “Essas situações podem exigir uma avaliação médica para se descartar problemas mais sérios”, ressalta Bouer.

Também no quesito atividade física, a maioria parece estar no caminho certo. Do universo pesquisado, 71% dizem praticar atividade todos os dias ou quase todos os dias. Outros 29% fazem pouca ou não fazem nenhuma atividade com frequência. Já em relação a um esporte definido, 42% não praticam nada regularmente. A motivação principal para se praticar atividade física é o lazer, mas os garotos admitem que desejem ficar mais fortes, as meninas querem entrar em forma e emagrecer.

A cultura de vida nas cidades grandes, com violência, grandes distâncias, trânsito e poucas áreas de lazer próximas, somada à possibilidade de ter o mundo ao alcance dos dedos pelo controle remoto e teclado do computador, têm trancado muitos jovens em casa. “Isso pode ocupar um espaço importante na vida das pessoas e impedir a prática de qualquer tipo de exercício”, alerta Bouer. Segundo a pesquisa, 29% dos jovens passam pelo menos 5 horas por dia diante de um computador e 10% ficam mais de 4 horas diárias assistindo TV; nos finais de semana, quase 14% ficam “internados” em casa e outros 30% ficam a maior parte do tempo em casa, saindo de vez quando.

Quase 88% dos jovens entrevistados declararam que a saúde é uma preocupação, mas 43% não costumam ir ao médico para controles. Enquanto as garotas, em teoria, devem ir ao ginecologista uma vez ao ano, os garotos ficam sem uma referência depois que deixam de ser acompanhados pelo pediatra. Quase 15% acham que sua saúde hoje está apenas regular ou não está boa, mais de 30% acham que estão com peso um pouco acima ou muito acima do normal, e, no outro extremo, 14% acham que seu peso está um pouco abaixo ou muito abaixo do desejável, sendo que 2% dizem que estão muito abaixo. “Talvez esse seja um grupo que precise de uma avaliação mais urgente para checar eventuais alterações hormonais e evitar problemas de saúde e até de transtornos alimentares como bulimia e anorexia”, destaca Bouer.

Além da genética, o comportamento dos pais obesos parece influenciar na relação do jovem com seu corpo, sua saúde e seu padrão de alimentação. Em relação a ter pai e mãe com obesidade, a resposta foi positiva com mais frequência entre os jovens que sempre vão a lanchonetes e redes de  fast food, quase nunca fazem atividade física, avaliam sua alimentação como ruim, comem fritura, alimentos gordurosos, sanduíche e salgadinhos industrializados todos os dias e não comem frutas. Ter pai e mãe fumantes aparece com maior freqüência nos grupos de estudantes que fumam e bebem quase todos os dias.

O projeto “Este Jovem Brasileiro” é realizado anualmente pelo Portal Educacional, abordando temas que preocupam pais, educadores e a sociedade. Neste ano, o questionário sobre a relação do jovem com sua saúde, foi respondido no período de 03 de maio a 15 de agosto. Os resultados, comentados pelo Dr. Jairo Bouer, estão disponíveis no Portal Educacional para os alunos e colocados em discussão, levando os estudantes a refletir sobre o tema. Uma forma interessante para esta reflexão, e adotada pelo portal, é envolver os jovens numa campanha que divulgue e estimule os cuidados com a saúde. Nas edições anteriores do projeto, os estudantes responderam questionários e discutiram sobre Comportamento e risco, Valores e atitudes, Relações familiares, Sexualidade, Álcool e Uso da Internet.

Fonte: Segs

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